Com chuvas acima do normal até janeiro, meteorologista lista ações de enfrentamento e adequação para as lavouras de inverno e de verão
Foto : Leandro Mariani Mittmann / Especial / CP
O El Niño foi declarado pela NOAA, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, e agora, a expectativa fica por conta do início das chuvas mais frequentes no Rio Grande do Sul. Para esse trimestre, o consenso do IRI (International Research Institute for Climate Society) indica precipitação próxima aos valores da Normal Climatológica (NC) na Metade Sul do Estado, com aumento da probabilidade de chuvas no Norte.
As informações são da meteorologista Jossana Ceolin Cera, consultora técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em texto veiculado no site da instituição.
Já o modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, prevê precipitações abaixo da NC, em todo o Rio Grande do Sul, em julho; dentro da NC em agosto e com tendência de ficar dentro da NC em setembro.
“Por sua vez, o modelo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê precipitações acima da Normalidade Climática durante os próximos três meses, com destaque para setembro”, acrescenta.
“Analisando um conjunto maior de modelos, a convergência entre eles é de que as precipitações fiquem acima da NC a partir de agosto”, complementa.
Intensidade forte
“A NOAA prevê, com 46% de probabilidade, que o El Niño atingirá a intensidade forte (anomalias entre +1,5 e +1,9°C) nesse próximo trimestre (julho-agosto-setembro)”, explica.
“Há 63% de probabilidade do evento chegar à intensidade muito forte (anomalias superiores a +2°C) durante o trimestre novembro-dezembro-janeiro (2027). Lembrando que, eventos mais intensos nem sempre resultam em impactos meteorológicos e climáticos maiores. Mas, eles podem aumentar a probabilidade de ocorrência de determinados impactos”, descreve.
Jossana ainda revela como deverá se comportar o clima nesse período.
“É importante ressaltar que o principal efeito do El Niño é no aumento da frequência e volume das precipitações durante a primavera do primeiro ano (2026) e, em um segundo momento, durante o outono do ano seguinte (2027)”, resume Jossana.
“Em anos de El Niño, além do aumento da nebulosidade, com consequente diminuição da radiação solar, além da temperatura média do ar ser mais alta, mas sem extremos, e umidade relativa do ar também mais elevada”, complementa.
O que fazer e não fazer
Em função da previsão, a especialista lista algumas atitudes e ações por parte do produtor gaúcho para adaptar seus cultivos ao comportamento climático e minimizar perdas:
* Aproveitar os períodos secos para fazer o preparo das áreas para a semeadura do arroz irrigado e das culturas de sequeiro, para viabilizar a semeadura dentro do período recomendado;
* Como há maior risco de enchentes em áreas próximas de rios, recomenda-se evitar grandes investimentos nessas áreas;
* Para as lavouras de soja e milho em rotação, nas áreas baixas, priorizar um eficiente sistema de drenagem;
* Com a primavera mais chuvosa, as janelas de semeadura serão menores e, possivelmente, haverá atraso na época de semeadura (arroz e soja). Semeaduras muito tardias devem ser evitadas, primeiro devido à redução de produtividade, em decorrência da menor disponibilidade de radiação solar e, segundo, devido ao impacto secundário do El Niño durante o outono de 2027, que poderá prejudicar a operação de colheita dessas culturas;
* A brusone, principal doença fúngica do arroz, ocorre sob condições de temperaturas em torno dos 28°C, alta umidade relativa do ar (>90%), maior nebulosidade e molhamento foliar, conforme recomendações da Comissão Técnica do Arroz (CTAR, 2025). Em anos sob El Niño, essas condições ocorrem com maior frequência. Dentre as práticas de controle dessa doença, atenção deve ser dada para a escolha de cultivares mais resistentes a doenças e da adoção do manejo preventivo;
* Também ficar atento ao sistema de irrigação para as culturas de sequeiro, como a soja, pois mesmo com El Niño, durante o verão há o risco de ocorrer algum período de 10 a 15 dias sem chuvas, com redução da produtividade de grãos.
“Mantém-se a recomendação do acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias) como estratégia para aumentar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do RS nos próximos meses”, complementa Jossana.
Fonte: Correio do Povo