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Produtores gaúchos enfrentam retração de preços

Acumulado de queda em 12 meses é de quase 8%, com destaque negativo a soja, arroz e suínos, aponta Farsul

Suinocultura, além de soja e arroz, é uma das atividades com queda nos preços ao produtor
Suinocultura, além de soja e arroz, é uma das atividades com queda nos preços ao produtor
Foto : Fernando Dias / Seapi / CP

Os custos de produção para os agricultores e criadores gaúchos se mantiveram estáveis em maio, enquanto os preços recebidos tiveram quedas. Foi o que apurou a Assessoria Econômica do Sistema Farsul, a Federação da Agricultura do RS.

“O setor agropecuário do Rio Grande do Sul viveu um cenário de disparidade em maio de 2026. Enquanto o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) apresentou estabilidade, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos Pelos Produtores Rurais (IIPR) registrou queda, interrompendo uma trajetória de alta observada nos meses anteriores”, descreve nota emitida pela entidade.

Segundo o comunicado, os custos fecharam o mês passado com uma alta de apenas 0,04%, impulsionado pela queda na taxa de câmbio, que barateou insumos importados como fertilizantes e defensivos, além da redução nos preços do diesel, o que diminuiu a pressão sobre fretes e operações mecânicas.

“Apesar do alívio pontual, a tendência de longo prazo mostra uma retomada na pressão de custos. No acumulado de 12 meses, o IICP avançou para 3,11%, sinalizando que os custos voltaram a subir após o período de deflação verificado em 2025. No acumulado do ano, a alta chega a 5,94%, concentrada principalmente nos meses de março e abril”, descreve.

Retração nos preços

“Em contrapartida, o cenário para o produtor foi de desvalorização em maio. O IIPR (preços) registrou uma queda mensal de 1,98%, movimento impulsionado principalmente pela desvalorização de produtos como soja, arroz e suínos”, informa.

“Com este resultado, o IIPR acumula uma queda de 7,64% em 12 meses, indicando que os preços pagos ao produtor continuam abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano anterior”, complementa.

Neste contexto o relatório da Farsul destaca ainda o “descasamento” entre o que o produtor recebe e o que o consumidor final paga nas prateleiras, medido pelo IPCA Alimentos. “Enquanto o IIPR acumula retração em 12 meses, o IPCA Alimentos segue pressionado, com alta de 3,87% no mesmo período”, ressalta.

“É importante destacar o descasamento entre o preço ao produtor e o preço ao consumidor, medido pelo IPCA Alimentos. Enquanto o IIPR ainda acumula queda em 12 meses, o IPCA Alimentos segue pressionado, evidenciando que a inflação de alimentos não se origina no campo, mas sim ao longo das demais etapas da cadeia e da dinâmica macroeconômica”, esclarece a entidade.

Fonte: Correio do Povo

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