Notícias

Entre a desconfiança e o favoritismo, Brasil encara o Haiti para afastar as dúvidas

Após estreia decepcionante contra Marrocos, seleção de Ancelotti busca convencer diante de um adversário que volta ao Mundial após 52 anos

Ancelotti deve fazer alterações na equipe brasileira para enfrentar o Haiti
Ancelotti deve fazer alterações na equipe brasileira para enfrentar o Haiti
Foto : MAURO PIMENTEL / AFP / CP

Como cantou Caetano Veloso, “o Haiti é aqui”. Talvez não seja exatamente aqui, mas a frase serve ao menos para aproximar duas nações que compartilham uma paixão: o futebol. Nesta sexta-feira, às 21h30min, Brasil Haiti se encontram no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, pela segunda rodada do grupo C da Copa do Mundo. E, embora o confronto pareça daqueles que dispensam maiores preocupações para os brasileiros, a primeira semana do Mundial já ensinou que excesso de confiança pode ser perigoso.

Na estreia, a Seleção Brasileira escapou de um tropeço maior diante de Marrocos. Saiu atrás no placar, teve dificuldades para produzir e arrancou um empate graças a um imerecido gol de Vinícius Júnior. O desempenho provocou críticas ao técnico Carlo Ancelotti, questionado tanto pelas escolhas iniciais quanto pelas alterações feitas durante a partida.

O próprio treinador italiano admitiu que a equipe ficou longe do esperado. “Eu não estou satisfeito. Devemos trabalhar para melhorar, mas é normal”, resumiu após o apito final.

Agora, a tendência é que o comandante promova ajustes. Contra os marroquinos, Ancelotti surpreendeu ao escalar Ibañez e Douglas Santos nas laterais e apostar em Igor Thiago como referência ofensiva. Os treinamentos realizados durante a semana apontam para o retorno do esquema 4-2-4, com Matheus Cunha ganhando espaço no ataque. Outra possível mudança envolve Casemiro. Titular em 12 dos 13 jogos sob o comando do italiano, o volante pode ceder lugar a Fabinho.

Quem continua ausente é Neymar. Convocado inicialmente sob a expectativa de estar apto para a estreia, o atacante do Santos segue em recuperação de lesão e nem sequer viajou para a Filadélfia. Nos bastidores, cresce a percepção de que sua participação na fase de grupos corre sérios riscos.

Do outro lado estará uma seleção que já realizou um feito antes mesmo de entrar em campo: voltar à Copa após 52 anos. A última participação haitiana havia sido em 1974, na Alemanha. Comandado pelo francês Sébastien Migné, que assumiu a equipe em março de 2024 e ainda não visitou o Haiti, o time mostrou organização na derrota por 1 a 0 para a Escócia. A estratégia foi clara: linhas compactas, contra-ataques e bolas levantadas na área buscando o centroavante Pierrot, dono de respeitáveis 1,94 metro de altura.

Em uma análise rápida — e até em outra mais cuidadosa — o Haiti não parece exatamente o tipo de adversário capaz de provocar insônia na torcida brasileira. O problema é que a Copa tem se especializado em desmentir previsões aparentemente óbvias. Nesta edição, os favoritos já colecionaram sustos, tropeços e alguns constrangimentos. Por isso, mais do que vencer, o Brasil precisa convencer. Porque, se o empate diante de Marrocos deixou dúvidas, um novo resultado decepcionante transformará a cobrança em algo bem menos poético do que a canção de Caetano.

COPA DO MUNDO – 2ª RODADA

Brasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro e Bruno Guimarães; Luiz Henrique, Raphinha, Igor Thiago (Matheus Cunha) e Vinicius Jr.. Téncico: Carlo Ancelotti.

Haiti: Johnny Placide; Carlens Arcus, Ricardo Ade, Hannes Delcroix e Martin Experience; Ruben Providence, Bellegarde, Jean Jacques e Don Deedsonr; Frantzdy Pierrot e Wilson Isidor. Técnico: Sebastião Migné.

Árbitro: Alejandro José Hernández (ESP). Local: Estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia. Início: 21h30min.

Fonte: Correio do Povo

About Rádio Cidade

No information is provided by the author.