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El Niño deve elevar custos no campo

Fenômeno climático previsto para o segundo semestre tende a afetar pastagens, sanidade animal e logística

Umidade dificulta o manejo e cria ambiente para algumas doenças
Umidade dificulta o manejo e cria ambiente para algumas doenças
Foto : Carolina Jardine / Divulgação / CP

A previsão de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre deste ano tem preocupado o setor pecuário. O Sul do Brasil está entre as regiões mais suscetíveis aos efeitos do excesso de chuvas associado ao evento climático. Esse volume elevado de precipitações pode causar encharcamento do solo, dificultar o manejo das pastejo, reduzir a qualidade das forragens conservadas e ampliar problemas sanitários, como mostra um estudo sobre o tema, realizado pelos pesquisadores Natália Grigol, Giovanni Penazzi e Thiago Carvalho, do Cepea/USP.

Além dos impactos diretos sobre as pastagens, o estudo aponta que as condições climáticas podem afetar a produção de grãos utilizados na alimentação animal e elevar a variação dos preços de insumos como milho, farelo de soja, silagem e feno. Em consequência, produtores podem enfrentar aumento nos custos para alimentar os rebanhos. Outro problema é a dificuldade logística provocada por estradas alagadas.

Para a médica-veterinária e fiscal estadual agropecuária Raquel Cannavô, os efeitos do fenômeno são percebidos em praticamente todas as etapas da atividade pecuária. Segundo ela, a instabilidade climática interfere diretamente na rotina das propriedades e exige adaptações constantes por parte dos produtores.

“Essa incerteza climática causa uma instabilidade na agropecuária, porque o clima interfere em tudo. Ele vai interferir na sanidade, no manejo, na produção da propriedade e nas pastagens”, explica.

A médica-veterinária destaca ainda que o excesso de umidade compromete o manejo dos animais. “Ele (o clima) reduz a qualidade das pastagens por causa do excesso da chuva. Isso favorece o pisoteio dos animais, diminui a oferta de forragem de qualidade e aumenta a ocorrência de lama.”

Quando a qualidade das pastagens diminui, os produtores precisam recorrer à suplementação alimentar para manter o desempenho dos rebanhos. Em sistemas confinados, o problema também se manifesta pelo aumento dos custos dos insumos e pelas dificuldades logísticas provocadas por estradas alagadas ou deterioradas.

A lama constante e os solos encharcados criam um ambiente favorável para o surgimento de doenças e problemas sanitários. Entre os principais desafios estão o aumento da incidência de verminoses.

“Aumenta a incidência de verminose, de doenças e de problemas de casco. A alta umidade e a lama constante acabam favorecendo dermatites e outras enfermidades”, explica Raquel.

Como o fenômeno deve se estender até o verão, o calor associado à umidade é outra preocupação. Segundo a veterinária, os animais passam a gastar energia tentando dissipar a temperatura corporal, reduzindo o potencial produtivo. “Ao invés de gastar energia para a produção de leite, eles estão tentando compensar por causa do calor.”

De acordo com a especialista, vacas leiteiras submetidas a condições de estresse térmico podem apresentar redução significativa na produtividade.

“O calor pode reduzir de 10% a 30% a produção de leite, além de causar queda na fertilidade e maior predisposição a doenças.”

Medidas

O planejamento se torna uma ferramenta para reduzir prejuízos. As medidas preventivas devem ser adotadas antes da chegada dos períodos mais críticos.

“Eles (os produtores rurais) têm que investir em planejamento alimentar, conforto térmico, manejo sanitário e drenagem adequada das instalações. Tudo isso tem um custo, mas ajuda a evitar perdas futuras”, afirma a fiscal.

Entre as estratégias estão a formação de estoques de alimento, o monitoramento constante da saúde dos animais, a ampliação da oferta de sombra e água e melhorias na infraestrutura das propriedades para evitar o acúmulo de lama e o encharcamento das áreas de manejo.

Fonte: Correio do Povo

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