Pesquisa apurou que 40% dos males cardiovasculares decorrentes do coronavírus foram evitados em imunizados

Possíveis efeitos colaterais são mínimos e compensados por proteção, avalia pesquisaFoto : Cristine Rochol / PMPA / CP
Segundo reportagem do jornal norte-americano The Washington Post, um novo estudo publicado na revista científica JAMA Internal Medicine aponta que a vacina contra a Covid-19 reduziu em cerca de 40% o risco de eventos cardiovasculares graves, como infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e hospitalizações por problemas cardíacos. Os resultados reforçam evidências acumuladas nos últimos anos sobre os benefícios da imunização para a saúde do coração.
A pesquisa analisou aproximadamente 1 milhão de veteranos atendidos pelo sistema de saúde do Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos entre 2024 e 2025. Os pesquisadores compararam pessoas que receberam apenas a vacina contra a gripe com aquelas que tomaram tanto a vacina da gripe quanto a versão atualizada da vacina contra a Covid-19.
Após um acompanhamento médio de oito meses, os cientistas observaram que os vacinados contra a Covid apresentaram risco 37,7% menor de desenvolver complicações cardiovasculares graves relacionadas à infecção pelo coronavírus. O efeito protetor foi mais significativo entre idosos com mais de 75 anos e pacientes com doenças pré-existentes, como enfermidades cardíacas, diabetes e problemas pulmonares crônicos.
Além da redução dos eventos cardiovasculares associados, o estudo identificou benefícios mais amplos. Os participantes vacinados registraram cerca de 6% menos casos de doenças cardíacas graves em geral, mesmo quando não estavam diretamente relacionadas a uma infecção por coronavírus.
Os pesquisadores também constataram redução de aproximadamente 7% nas hospitalizações e mortes por todas as causas entre os vacinados. Embora os percentuais sejam considerados modestos, os autores destacam que o impacto em larga escala pode ser expressivo. Segundo as estimativas, a cada 10 mil pessoas imunizadas seriam evitados cerca de 23 eventos cardiovasculares graves, 30 internações e 16 mortes.
De acordo com o médico e epidemiologista Ziyad Al-Aly, um dos autores do estudo, os resultados sugerem que a vacinação pode proteger inclusive pessoas que contraíram Covid-19 de forma assintomática ou sem diagnóstico confirmado. Para ele, os dados indicam que o vírus ainda pode circular de maneira silenciosa na população.
Especialistas destacam, entretanto, que a pesquisa foi realizada majoritariamente com homens brancos e idosos, o que exige cautela na extrapolação dos resultados para outros grupos populacionais. Ainda assim, os achados reforçam recomendações de vacinação, especialmente entre pessoas mais velhas e com fatores de risco.
Os autores lembram que as vacinas contra a Covid-19 já foram associadas a casos raros de miocardite e pericardite, geralmente leves. No entanto, o consenso entre especialistas permanece de que os benefícios da imunização superam os riscos. Pesquisas recentes também apontam possíveis efeitos positivos adicionais das vacinas de mRNA, tema que continua sendo investigado pela comunidade científica.
Fonte: Correio do Povo