Essa inovação e os riscos do desrespeito à segurança jurídica para o seu uso foram debatidos em evento em São Paulo

Foto : Leandro Mariani Mittmann / Especial / CP
A relevância do impacto e uso da biotecnologia (transgenia) para tornar o Brasil nos últimos anos o maior produtor e exportador de soja do mundo, condição que promoveu o forte desenvolvimento econômico-social das regiões agrícolas produtoras do grão pelo interior do país, foi um dos painéis abordados no encontro com a imprensa promovido pela Bayer, em São Paulo, nesta segunda-feira, 15.
A empresa reuniu seus executivos e convidados de diferentes elos da cadeia produtiva da oleaginosa para debater o tema “Biotecnologia Brasil, oportunidades, inovação e o futuro do agro”.
O Líder em Negócios Soja Brasil da Bayer, Fabiano Oliveira, destacou que nos últimos 20 anos a produção global de soja foi ampliada em 220 milhões de toneladas, e a agricultura brasileira foi a responsável pela fatia de 60% a 70% desse volume agregado.
E o Brasil ampliou a sua produção de 55 milhões de toneladas do grão na safra 2005/2006 para 180 milhões na atual safra.
“O Brasil estava preparado nos últimos anos para demandar a soja que o mundo demandou”, afirmou. “Isso transformou a economia brasileira”, complementou. “A soja é o grande produto da nossa pauta de exportação.”
Ele justificou esse boom nos avanços institucionais brasileiros, como o estabelecimento de uma legislação de proteção à propriedade intelectual das tecnologias criadas, assim como a utilização destes conhecimentos a campo, além da infraestrutura logística e o empreendedorismo dos produtores.
“O agricultor foi o grande protagonista”, ressaltou.
Neste sentido, argumentou sobre o quanto regiões agrícolas se desenvolveram em razão da soja, e exemplificou regiões como as de Luís Eduardo Magalhães (BA), que “era um vilarejo” 20 anos atrás, definiu, além de Cascavel (PR) e Lucas do Rio Verde (MT).
E nesses ambientes não apenas os agricultores ascenderam socialmente, mas também a população com melhorias em apoios como escolas e saneamento básico.
Segurança jurídica
Neste contexto da importância da biotecnologia para toda a cadeia da soja e até para a economia brasileira, Luiz Henrique do Amaral, da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI), explanou sobre a fundamental segurança jurídica para que as tecnologias desenvolvidas tenham proteção legal e assim não serem utilizadas sem a devida recompensa aos desenvolvedores.
Afinal, lembrou, a criação de uma diferente biotecnologia demanda cerca de 15 anos, com alto investimento. “São vários anos de trabalho que envolvem a pesquisa com biotecnologia”, resumiu.
“Cada invenção resulta em uma patente”, descreveu, registro este que deve ser protegido, e neste contexto o Brasil desenvolveu uma legislação sólida há 20 anos, e que deve ser respeitada.
Já Catharina Pires, diretora da CropLife Brasil, entidade das empresas de insumos agrícolas, lembrou que três são os pilares que levaram o agro brasileiro a crescer de uma maneira exponencial nos últimos anos: condições de solo e clima, espírito empreendedor dos agricultores e a mencionada segurança jurídica.
“O Brasil tem este terceiro pilar que viabilizou o êxito do nosso agronegócio”, argumentou. E acrescentou o risco, por exemplo, do uso de pelos agricultores de sementes piratas, cujo levantamento solicitado pela entidade apontou que 11% das sementes utilizadas na agricultura brasileira é de origem ilegal.
“Ele está plantando algo que não sabe o que vai colher”, ressaltou sobre os riscos do insumo sem procedência. “É o barato que sai caro.”
Ainda mencionou que no caso da agricultura do Rio Grande do Sul a semente ilegal representa 28%. A proximidade com fronteiras, o perfil de agricultores de pequeno porte e os problemas econômicos do Estado em razão do clima explicam a alta proporção.
Mas justamente pela fragilidade das condições econômicas dos gaúchos no momento, a entidade tem buscado conscientizá-los a fazerem o uso de sementes certificadas e, portanto, de qualidade. “Ele não pode errar”, advertiu em relação aos gaúchos.
Fonte: Correio do Povo