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Especialista tranquiliza sobre vacina da dengue e indica quais sintomas podem indicar efeito adverso grave

Suspensão de imunizante levantou dúvidas sobre os efeitos após aplicações

Suspensão de vacina contra a dengue levantou dúvidas sobre os sintomas provocados pelos imunizantes

Suspensão de vacina contra a dengue levantou dúvidas sobre os sintomas provocados pelos imunizantesFoto : Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil / CP

Após a suspensão preventiva de uma vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, anunciada nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde, surgiram dúvidas sobre quais reações são consideradas normais depois de um processo de imunização e quais podem indicar um problema grave de saúde. Médico imunologista e professor do curso de Medicina da Universidade Feevale, Hélio Miguel Lopes Simão, explica que a suspensão temporária é um procedimento normal e não significa que a vacina será definitivamente retirada da rede no futuro.

“Esse fato não indica que a vacina seja insegura ou que a licença será revogada”, aponta. “Agora, serão analisadas as reações graves ocorridas, que podem ou não ter relação direta com a vacina. Isso é um mecanismo de prevenção em que se analisam esses casos e se faz uma vigilância”, salienta Simão.

De acordo com o imunologista, os principais sinais de alerta são quadros graves ou sintomas que permanecem por mais de uma semana. “As situações que exigem maior atenção incluem falta de ar, hipotensão, desmaios, arritmias, perda de força em pernas ou braços e convulsões. Já os quadros leves e moderados normalmente não precisam de atendimento de urgência e podem ser tratados apenas com medidas sintomáticas”, destaca.

O médico destaca que os riscos para a saúde de quem se imuniza com as vacinas aprovadas pelo Ministério da Saúde são “muito baixos”. “É muito remota e rara a possibilidade de uma reação grave em vacinas aprovadas nas três fases exigidas para liberação. Portanto, quem fez essa vacina específica deve ficar tranquilo, mas vigilante nesse período. Em 500 mil doses, aconteceram duas reações muito graves, mas ainda falta a comprovação da relação de causa e efeito”, pontua.

Quando a reação comum vira efeito adverso grave?

O imunologista aponta que todas as reações às vacinas são consideradas adversas, mas a maioria delas é leve, esperada e não imunológica. “As reações mais comuns são as não imunológicas. São reações leves, muitas vezes sem necessidade de tratamento. Temos exemplos como inchaço, vermelhidão e dor no local da aplicação. Isso não é alergia, é uma reação irritativa que melhora, é leve e não tem complicações”, destaca.

Simão também explica que reações como febre, mialgia, cefaleia, calafrios, mal-estar, sonolência e irritabilidade podem ser mais inconvenientes, mas também estão entre as não imunológicas. “Existem casos em que pode ser necessária medicação, mas sem gravidade. O paciente pode ficar tranquilo, pois irá melhorar sem sequelas.”

Nos casos mais raros de alergia, o quadro pode ocorrer por componentes da própria vacina, como os aditivos. “Existem casos bem raros de alergia, mas, quando ocorrem, o imunologista irá investigar, principalmente a gelatina da vacina, o látex, o polietilenoglicol (PEG), antibióticos e outros excipientes que tenham na composição, geralmente conservantes”, alerta.

No geral, o imunologista garante que reações graves de fato “ocorrem em um caso para cada 1 a 10 milhões de doses aplicadas, ou seja, é muito seguro para ser liberado”. “As vacinas são extremamente seguras e não apresentam risco de desenvolver a doença. O que pode ocorrer é que alguns pacientes, quando imunizados, já estavam incubando o vírus e, nesse caso, a vacina não cobre uma infecção já em curso. Popularmente, isso acaba confundindo as pessoas”, explica o médico sobre os imunizantes como os contra Covid-19 e gripe.

Quando as reações começam?

Segundo Simão, as reações leves e moderadas costumam surgir nos primeiros dias após a aplicação e desaparecem espontaneamente. “As reações leves e moderadas ocorrem em poucos dias e, geralmente, desaparecem entre 48 e 72 horas após a aplicação. Elas vão melhorando sem comprometer o estado geral do paciente”, explica.

O médico alerta que a atenção deve estar voltada para sintomas que persistem por um período mais prolongado ou que afetam sistemas específicos do organismo. “O que devemos observar são reações que persistem por vários dias ou semanas, que comprometem algum sistema específico, como dificuldade para caminhar, perda de força, alergias na pele ou edemas que não melhoram com antialérgicos, além de falta de ar, pressão baixa, desmaios ou convulsões”, afirma.

Informações confiáveis

Simão também reforça a importância de buscar informações em fontes confiáveis para evitar preocupações desnecessárias. “É muito importante obter informações de meios de comunicação reconhecidos pela divulgação de notícias científicas e respaldadas por especialistas ou sociedades científicas”, orienta.

Em relação a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, o médico ressalta que, neste momento, a principal recomendação é o monitoramento dos vacinados. “O único cuidado é a observação desses pacientes para identificar se irão apresentar alguma reação diferente. Não é necessário realizar exames ou ter uma preocupação maior neste momento”, afirma.

Simão também esclarece dúvidas sobre restrições relacionadas a alergias alimentares. Segundo ele, pessoas alérgicas a leite e ovo podem receber todas as vacinas, incluindo a da influenza, a tetra viral e a da febre amarela. A exceção são os casos graves de alergia ao ovo, em que é recomendada avaliação prévia com um alergologista antes da aplicação da vacina contra a febre amarela em ambiente hospitalar.

Por fim, o médico reforça a importância da vacinação para a proteção da população. “As vacinas são muito seguras, eficazes, comprovadas, testadas e necessárias. Na dúvida sobre alguma situação especial, como pacientes com imunidade comprometida por doenças ou medicamentos, a avaliação médica deve sempre ser realizada”, conclui.

Fonte: Correio do Povo

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