Com uma alíquota estimada em 26,5%, a Reforma Tributária passa a impactar, de forma concreta, a vida do consumidor a partir de 2027. Mas como ela deve ser tratada ao longo da cadeia produtiva para que esse impacto seja o menor possível?
Mais do que uma simples alteração de parâmetros conduzida pela área tributária com apoio de TI, a reforma exige uma mudança de mentalidade na alta gestão. Será necessário maior envolvimento estratégico e a definição de novas premissas para custos, formação de preços e operação, diante da ruptura com paradigmas até então consolidados.
Na área de compras, a revisão de contratos de fornecimento de matérias-primas, componentes e serviços vai além da projeção dos efeitos da substituição dos tributos atuais pelos novos. Torna-se essencial uma compreensão mais aprofundada da estrutura de custos dos fornecedores, incluindo a formação de preços e os impactos da transição tributária. Nesse contexto, a possibilidade de aproveitamento integral de créditos ao longo da cadeia abre espaço para negociações que podem resultar na redução dos preços de aquisição e, consequentemente, dos custos.
Da mesma forma, compreender a estrutura interna de custos e a formação de preços da própria empresa torna-se indispensável para recalibrar estratégias comerciais. Isso inclui avaliar como os novos tributos impactarão os preços praticados até o consumidor final.
Com a mudança da destinação da arrecadação do tributo da origem para o destino, a alta gestão deve, também, se questionar se a arquitetura das operações da empresa, como localidade, cadeia de fornecimento e distribuição, bem como as operações industriais, foi baseada em incentivos fiscais ou tributações favoráveis, pois, com o novo sistema tributário, não haverá mais a diferenciação da tributação entre os estados.
Se, em algum momento, a carga tributária definiu o modus operandi das empresas, agora cabe à liderança compreender a profundidade dessa transformação, seus efeitos na cadeia produtiva e os impactos diretos sobre o negócio.
Nesse cenário, estratégias de eficiência e redução de custos tornam-se fundamentais para mitigar o repasse ao consumidor final. Não repensar o negócio significa riscos de perder oportunidades de se reposicionar competitivamente em um mercado que estará pronto para restabelecer novos parâmetros de preços, marcas e produtos.
Fonte: Correio do Povo