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Pequenas no PIB, gigantes em relevância

Potência agropecuária gaúcha é forjada por uma preciosa diversificação de atividades, sobretudo empreendida na produção familiar

Estado dedica apenas em torno de 50 mil hectares para o feijão
Foto : Tássia Becker Alexandre / Emater/ CP

A agropecuária do Rio Grande do Sul, apesar dos dissabores causados pelos sucessivos problemas climáticos nos anos recentes, segue como uma das mais pujantes do país, com Valor Bruto de Produção (VBP) anual sempre em torno de R$ 100 bilhões, cerca de um sétimo do PIB gaúcho, e, no caso do agronegócio, dona de uma fatia superior a 70% das exportações totais do Estado, com mais de duas centenas de destinos.

Em grãos, por exemplo, nesta safra 2025/2016, o Rio Grande do Sul retomou de Goiás a terceira posição entre os principais estados produtores, atrás apenas do Mato Grosso e do Paraná. Entre os destaques do setor, está a soja, dona de 29% do VBP do campo, arroz (15%), frango e suínos (9% cada), leite (7%), bovinos e fruticultura (5% cada) e trigo (4%), segundo a Radiografia da Agropecuária Gaúcha 2025, com números do ano anterior.

Mas, possivelmente, o Rio Grande do Sul seja o Estado com a maior diversidade de atividades agrícolas, ainda que a maioria sem grande expressividade econômica, com “PIBs” baixos, baixíssimos, mas cadeias agrícolas ou pecuárias de extrema relevância nos municípios ou regiões em que estão inseridas, principalmente – ou quase que exclusivamente – para agricultores e agricultoras familiaresEssas cadeias, invariavelmente, são muito mais vulneráveis às instabilidades dos mercados, assim como das circunstâncias climáticas.

Além disso, a providencial mecanização nem sempre é um recurso acessível. Até como consequência da falta do apoio do trabalho de máquinas, pena mais para crescer pela escassa mão de obra disponível no campo.

Um exemplo de uma cadeia de inconstância permanente, sobretudo em preços, assim como do interesse de mercados, é a do feijão. Afinal, o Estado que cultiva cerca de 8 milhões de hectares de grãos relevantes para a economia, como soja, milho e arroz, dedica apenas em torno de 50 mil para uma cultura de extrema relevância para as mesas dos gaúchos. Isso que o feijão pode ser explorado durante três épocas diferentes, no clima do Rio Grande do Sul, nas chamadas primeira, segunda e terceira safras.

A exemplo, na sequência do trigo, que é semeado no início de junho e colhido ao final de outubro, com a semente do feijão indo ao solo imediatamente após a colheita do cereal, e colhido já ao final da segunda dezena de janeiro.

“Por ter um ciclo curto, ele possibilita essas janelas”, explica Alencar Paulo Rugeri, gestor da Área de Culturas Anuais da Emater/RS-Ascar.

Cotações

O problema do feijão que explica a sua baixa adesão pelos agricultores é a instabilidade absurda das cotações, por vezes na mesma safra. “Ele tem uma característica da volatilidade de preço, uma marca que o feijão tem, essa coisa de estar a R$ 300 (por saca de 60 quilos) e estar a R$ 100 logo depois. Essa volatilidade do preço tira um pouco a estabilidade de área”, explica Rugeri. O grão já chegou a ocupar 200 mil hectares no Rio Grande do Sul nos anos 1990.

“Eu entendo como um potencial (de expansão) interessante no Estado, mas depende de ações mais interligadas. Ou seja, não posso plantar feijão e não ter mercado assegurado”, avalia.

A leguminosa tem uma exploração bastante diversa nas lavouras gaúchas, de agricultor que planta em uma área de aproximadamente 10% de um hectare (mil metros quadrados), para atender mercados locais, como feiras de agricultura familiar e mercadinhos na cidade, a outros em centenas de hectares, produção esta adquirida por cerealistas, feijão produzido sob o aparato de alta tecnologia como sob um pivô de irrigação, especialmente nas regiões de Cruz Alta e Vacaria.

A produção de feijão carioca é, inclusive, levada a outros estados. No entanto, este grande produtor, que faz usos da custosa mecanização, por vezes, não tem retorno financeiro pelo preço oscilando para baixo. Já o pequeno, como em dois hectares, sofre pela falta de mão de obra para a colheita, por exemplo. “Até porque não tem quem arranque feijão à mão. ‘Ah, plantei dois hectares de feijão’… te bota a arrancar feijão à mão! Não tem mais mão de obra para pegar (colher) feijão e trilhar”, descreve.

Além disso, Rugeri considera o “consumidor mais seletivo” quando em frente à gôndola do supermercado. Pode achar que há algo errado com o grão por estar roxo, imaginando que estaria estragado, mas não passa de uma característica da variedade.

“Precisa de estruturas mais consistentes. O consumidor é enjoado”, observa, afirmando que a maior parte das pessoas costuma adquirir o produto de marcas padrão. “Eu boto ele (no fogo) e, em 16 minutos, está cozido. Precisa de padrões”, argumenta. E ainda tem a mudança dos hábitos alimentares. “As pessoas estão comendo menos feijão.”

Fonte: Correio do Povo

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