
O currículo de Joel Maraschin (MDB) na vida pública não é pequeno. Entre outros cargos de destaque, já foi secretário de Desenvolvimento Econômico e secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico do RS. Foi também chefe de gabinete da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul e diretor-geral da pasta. Além disso, foi gerente-executivo da 48ª Expointer. Ainda assim, ou talvez justamente por isso, quando foi anunciado como o novo titular da Secretaria do Esporte e Lazer do RS, o nome causou surpresa, visto que, entre todas as suas experiências, esporte não era uma delas.
De certa forma, o novo cargo também surpreendeu o ex-vereador de Butiá, que logo entendeu qual missão teria pela frente: recolocar nos trilhos uma pasta que vinha de uma série de críticas, principalmente após o episódio envolvendo a Federação Gaúcha de Ginástica, que, no início do ano, quase perdeu a sua sede no CETE. Mais do que dar uma cara à secretaria, a Maraschin foi dada uma tarefa que precisa ser realizada no curto prazo. “Havia muitos problemas na gestão anterior no campo da gestão de projetos, da execução do orçamento, da tomada de decisão”, revela, observando que o convite do governador Eduardo Leite (PSD) e do vice Gabriel Souza (MDB) surgiu justamente por seu perfil desburocratizador.
Modus operandi da agricultura
Na conversa com a reportagem do CP, Maraschin não demora a destacar algumas medidas que podem ser vistas como sinais de celeridade. Lembra que, em menos de um mês, a secretaria já liberou R$ 10 milhões para 50 municípios. Não sem antes comentar que, quando sua equipe assumiu a pasta, deparou-se com cerca de R$ 100 milhões de orçamento parado, apesar das rubricas já definidas. “Trago da agricultura esse modus operandi de urgência: lá, se você espera, você perde. Tudo na agricultura é muito urgente”, explica.
O tempo, no entanto, joga contra. Primeiro, pelas questões legais. A partir de 4 de julho, o orçamento fica congelado por lei, só podendo ser retomado após o segundo turno das eleições. Não por acaso, há uma espécie de força-tarefa para assinar e liberar o máximo possível de verbas antes desta data. Fora isso, há a própria indefinição do que sairá das urnas. Caso o atual vice-governador não seja eleito, a gestão de Maraschin no comando do esporte terá sido de menos de um ano.
Investimento na base
Outro aspecto que parece definido é a continuidade de um perfil mais amplo da secretaria. Há e vai continuar existindo investimento em alto rendimento. Mas o foco é outro, é sedimentar uma base, aproximando o esporte de um viés mais educativo. Na prática, isso significa que obras estruturais ganham prioridade, como a iluminação de um campo de futebol sete em uma cidade do interior ou a iluminação de uma pista para caminhada em outra localidade. “Não temos alto rendimento se não tivermos a base. É um investimento em que vamos colher os frutos ao longo dos tempos”, justifica.
A polêmica envolvendo a Federação de Ginástica deixou ensinamentos. Um dos pontos mais criticados, interna e externamente, da gestão anterior, liderada pelo então secretário Juliano Franczak – que em abril trocou o PSD pelo PP – foi a falta de diálogo na questão envolvendo o CETE. No início do mês, foi lançado um edital para Gestão de Lutas no espaço, o que significa que desta vez é a Federação Gaúcha de Judô que, em tese, poderia perder a sede. Maraschin, contudo, já se antecipa e adianta que o tema não preocupa. “Caso eles não venham a ganhar, e eles têm muita expertise, já estamos prevendo a abertura de novos espaços no CETE, a partir das reformas que estão sendo feitas”, adianta.
Bebidas nos estádios
Na comparação com outras pastas, o Esporte apresenta temas bem menos espinhosos. O que não significa, entretanto, que eles inexistam. E a venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol é um dos que mais divide opiniões. Questionado sobre sua posição, Maraschin ensaia uma saída política, alegando que o que a Assembleia Legislativa decidir, será acatado. Mas e a sua opinião? “Acredito que da maneira que está, está melhor. Me parece que está mais tranquilo de ir aos jogos”, afirma o secretário.
Diante de um cenário ainda incerto sobre o futuro após as eleições de outubro, Maraschin não descarta a possibilidade de seguir no comando da pasta em caso de vitória de Gabriel Souza e um eventual convite. “Seja qual for a missão dada pelo governo, vou sempre exercer com a maior dedicação possível, né? Eu sempre digo que às vezes a gente precisa só de uma oportunidade. Vou tentar ser o melhor secretário de esporte possível”, diz.