Estudo estima produção de 64 bilhões de litros de 2030 a 2035, com impactos em redução de emissões e desmatamento e geração de empregos

Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil
Produzidos a partir de biomassa de origem renovável e utilizados para substituir combustíveis fósseis, os biocombustíveis podem gerar um acréscimo de até R$ 403,2 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) de 2030 a 2035, com a produção estimada de 64 bilhões de litros, incluindo etanol de cana, milho e de 2ª geração (que utiliza resíduos vegetais e biodiesel). Os dados são do estudo Potencial Econômico das Práticas Sustentáveis na Agricultura e Pecuária, conduzido pelo Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), com apoio do Instituto Equilíbrio e da Agni. O levantamento apresenta uma avaliação integrada dos impactos socioeconômicos e ambientais de sete tecnologias do Plano ABC+.
“Os biocombustíveis podem gerar R$ 62 de retorno para cada R$ 1 investido, um dos resultados mais expressivos do estudo. Mais do que uma alternativa energética, a bioenergia se configura como um vetor de crescimento, com efeitos que se propagam por diferentes setores da economia”, afirma o pesquisador Cícero Lima, responsável pelo estudo.
De acordo com o relatório, a expansão do setor pode torná-lo até 70% maior, com efeitos sobre transportes (+8,1% de crescimento), indústria de transformação (+6,4%), agropecuária (+3,5%) e agroindústria (+1,2%), o que também impulsionaria a produção de cana-de-açúcar em 31,34%. Outro impacto positivo seria a geração de empregos, com 225,5 mil novas ocupações, principalmente na agropecuária e na agroindústria.
O estudo destaca a ação dos biocombustíveis no impacto climático e no uso da terra. O potencial de redução das emissões é de 27,6 milhões de toneladas de CO2 equivalente (Mt CO₂e) quando se considera somente a substituição dos combustíveis fósseis, uma vez que o etanol de cana pode reduzir de 70% a 90% das emissões em comparação à gasolina. No caso da utilização da terra, um maior volume de biocombustíveis pode evitar 480 mil hectares de desmatamento, grande parte desta área no Cerrado e na Amazônia, segundo o relatório.
“O Brasil reúne vantagens competitivas únicas em biocombustíveis, com escala, base produtiva e tecnologia já consolidadas. O avanço do setor mostra que não há contradição entre produzir e descarbonizar. Com incentivos e previsibilidade adequados, o País pode transformar esse potencial em liderança global e consolidar a bioenergia como um dos principais motores da transição energética”, destaca o CEO do Instituto Equilíbrio, Eduardo Bastos.
Fonte: Correio do Povo