Avicultura gaúcha acompanha cenário com preocupação diante do impacto sobre transporte, processamento e competitividade do setor
A combinação de aumento no preço do combustível e encarecimento de insumos industriais começa a pressionar uma das cadeias mais relevantes do agronegócio brasileiro e gaúcho: a produção de proteína animal. Nas últimas semanas, produtores e agroindústrias passaram a enfrentar um novo ciclo de custos impulsionado pela alta do diesel e das resinas plásticas utilizadas na indústria de alimentos.
O Diesel S10 acumulou alta de 24,3% nos últimos 30 dias, alcançando preço médio nacional de aproximadamente R$ 7,57 por litro em março de 2026. No mesmo período do ano passado, o combustível custava cerca de R$ 6,20 por litro — uma variação anual que pode chegar a 22% dependendo da região.
A elevação reflete fatores como a valorização do petróleo no mercado internacional, a desvalorização do real frente ao dólar e reajustes aplicados nas refinarias brasileiras.
Dependência rodoviária
Para a cadeia avícola, produção de carne de frango e ovos, altamente dependente de logística rodoviária, o impacto é direto. O combustível está presente em praticamente todas as etapas da produção: transporte de ração, deslocamento de aves entre granjas e frigoríficos e distribuição da carne para o mercado interno e exportações.
Ao mesmo tempo, a indústria de alimentos enfrenta outro fator de pressão: o encarecimento das embalagens plásticas. Insumos como Polietileno e Polipropileno registraram aumentos próximos de 30% no último mês, impulsionados pelo custo da matéria-prima petroquímica e pela elevação da tarifa de importação dessas resinas no Brasil.
Atualmente, a alíquota de importação de resinas plásticas está em 20%, enquanto a média global gira em torno de 6,5%, ampliando a diferença de custos em relação a outros mercados.
Na indústria de alimentos, as embalagens representam entre 15% e 25% do custo total de diversos produtos, especialmente carnes resfriadas, congeladas e processadas.
Quando somados, os dois fatores — combustível e embalagens — geram um efeito cascata sobre toda a cadeia produtiva.
Cenário de atenção
Para o presidente executivo da Organização Avícola do RS (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, o momento exige atenção do setor produtivo.
“A avicultura brasileira é uma das cadeias mais eficientes do agronegócio, mas também extremamente sensível a oscilações em insumos estratégicos. Quando diesel e embalagens sobem ao mesmo tempo, isso gera uma pressão importante sobre a logística, o processamento e a estrutura produtiva”, avalia Santos.
Segundo ele, a competitividade construída pelo setor depende de equilíbrio no ambiente econômico. “O Brasil conquistou protagonismo global na produção de carne de frango. Para manter essa posição, é fundamental garantir previsibilidade de custos e um ambiente que preserve a competitividade das cadeias produtivas”.
Cadeia estratégica
O Rio Grande do Sul está entre os principais polos da avicultura brasileira, com forte integração entre produtores, cooperativas e agroindústrias. O setor gera milhares de empregos e tem papel relevante tanto no abastecimento do mercado interno quanto nas exportações de proteína animal.
Em um cenário global de demanda crescente por alimentos, o acompanhamento das variáveis de custo se torna decisivo para garantir sustentabilidade econômica e continuidade do crescimento da cadeia avícola.
Fonte: Correio do Povo