Resultado foi sustentado por avanços na indústria e nos serviços, que compensaram a retração de quase 7% na agropecuária gaúcha no período

O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul novamente refletiu os impactos dos efeitos climáticos na economia gaúcha. Na tarde desta terça-feira, o governo do Estado anunciou que o RS registrou um crescimento de 0,9% em em 2025 se comparado ao ano anterior. O número foi sustentado, em parte, pelos resultados dos setores da indústria e serviços, que compensaram a retração do agronegócio gaúcho, impactado pela estiagem.
No acumulado, o PIB gaúcho totalizou R$ 753,194 bilhões, equivalente a 5,91% do PIB nacional no período. Já o PIB per capita estadual no ano passado chegou a R$ 67.050, valor 12,3% superior à média brasileira, que foi de R$ 59.687 no período. A apresentação dos resultados foi feita pelo pesquisador Martinho Lazzari, do Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).
A agropecuária registrou retração de 6,8% no RS em 2025, enquanto teve crescimento de 11,7% no Brasil no ano passado. Já os setores de indústria e serviços registraram ambos um crescimento de 1,7%. No setor industrial gaúcho, os números foram puxados pela indústria extrativa e pela indústria de transformação. No país, o crescimento foi de 1,4% na indústria e 1,8% nos serviços no ano passado.
Ele destacou que os números foram puxados para baixo por conta dos impactos da estiagem na safra da soja, que ocorre tradicionalmente no segundo trimestre do ano. O produto agrícola teve queda de 25,2% em 2025, o que resultou na retração do setor, mesmo com números positivos e altos na produção de arroz (22,9%), milho (17,5%), fumo (22,5%) e uva (39,3%).
Por outro lado, com relação à indústria e serviços, o crescimento do RS foi parecido ao do restante do Brasil. No comércio, Lazzari destacou que as atividades que registraram crescimento foram as relacionadas ao consumo diário da população, como mercado, combustíveis e farmácia. Já as atividades que dependem de acesso a crédito tiveram queda, em função da alta no endividamento familiar e na taxa Selic.
Mesmo com a desaceleração no comércio, o setor ainda registrou número positivo. “Em linhas gerais, a economia do RS acompanhou a do Brasil, mas com a queda no segundo trimestre, em função dos efeitos da estiagem na agricultura. Em 2024, comércio e construção haviam crescido muito no RS por conta das medidas de enfrentamento à enchente, mas os setores acabaram se estagnando em 2025”, disse o pesquisador.
Lazzari ainda apresentou os números registrados apenas no quarto trimestre de 2025. No período, o RS cresceu 0,4%, enquanto o país registrou 0,1%. O pesquisador também comentou os efeitos da taxação proposta pelos Estados Unidos ao Brasil, em meados do ano passado. “Aquilo que se imaginava em um primeiro momento não se confirmou. De alguma forma (o tarifaço) aconteceu, mas as empresas gaúchas souberam se defender bem a isso”, completou.
Fonte: Correio do Povo