Executiva de gigante da tecnologia americana debateu no South Summit os caminhos da formação profissional

Foto : Alina Souza
A expansão da inteligência artificial está redefinindo não apenas o mercado de trabalho, mas também a forma como as pessoas são preparadas para atuar nele.
Essa foi a ideia central de um painel do South Summit Brazil 2026, que recebeu a executiva Justina Nixon-Saintil, vice-presidente de responsabilidade social corporativa e diretora de impacto da IBM, gigante de tecnologia americana.
A mediação foi de Felipe Amaral, diretor de educação do Instituto Caldeira. O debate abordou os caminhos da formação profissional na era digital.
Ao longo da conversa, a IA foi apresentada não apenas como ferramenta, mas como um catalisador de mudanças estruturais na educação e na empregabilidade.
Para Justina, o principal desafio está na mudança de mentalidade de empresas e lideranças, que ainda tendem a concentrar esforços nas tecnologias, e não na resolução de problemas.
IA como oportunidade
A executiva comparou o momento atual ao surgimento da internet e defendeu que a inteligência artificial deve ser encarada como uma oportunidade. Nesse cenário, o diferencial competitivo passa a ser a capacidade de aplicar soluções na prática e interpretar resultados.
“As pessoas precisam demonstrar que não têm apenas consciência da IA ou das ferramentas de IA, mas precisam mostrar que podem realmente usar essas ferramentas. Elas precisam entender o que estão resolvendo”, afirmou.
“Power skills” em destaque
Outro ponto central foi a valorização das habilidades humanas no novo contexto tecnológico. Justina propôs substituir o termo “soft skills” por “power skills”, destacando o papel do pensamento estratégico, da criatividade e do julgamento crítico.
“Essas ‘power skills’ serão ainda mais necessárias e demandadas do que nunca. Não as chamo mais de ‘soft skills’, porque, na realidade, essas são as competências reais que as pessoas precisam ter”, disse.
Segundo ela, à medida que a IA assume tarefas repetitivas, cabe aos profissionais exercer um papel mais analítico e decisório.
“Você não pode simplesmente pegar um resultado da IA e transferi-lo. Você realmente precisa analisar: isso faz sentido? Isso faz sentido para o meu negócio? Existem nuances que eu preciso entender?”, pontuou.
Requalificação e impacto social
A discussão também abordou a necessidade de requalificação profissional em larga escala. A IBM tem como meta capacitar 30 milhões de pessoas até 2030, tendo alcançado 22 milhões até o último ano em programas como o SkillsBuild.
Mais do que o volume, no entanto, o impacto deve ser medido pela transformação concreta na vida das pessoas. “O que realmente nos importa é o impacto. Você aumentou seu salário? Está em um emprego melhor? Conseguiu avançar em termos de mobilidade social ou econômica?”, questionou.
No Brasil, a parceria com o Instituto Caldeira foi citada como exemplo de integração entre formação e empregabilidade. Segundo Amaral, o diferencial está na conexão direta com o mercado, aliando capacitação técnica, mentoria e construção de comunidade.
A executiva reforçou esse impacto ao relatar experiências no país. “Visitei ex-alunos que passaram pelo nosso programa com o instituto [Caldeira] e esses estudantes me disseram que isso transformou suas vidas”, destacou.
Papel dos educadores
Outro aspecto enfatizado foi o papel dos educadores nesse processo. Para Justina, a tecnologia deve ser usada para potencializar o ensino, e não substituí-lo.
“Ajudar os educadores a entender o uso da IA e oferecer desenvolvimento profissional a eles para que possam apoiar melhor seus alunos. Acho que essa é uma oportunidade enorme”, afirmou.
A executiva também ressaltou que a formação precisa estar conectada às demandas reais do mercado.
Ao final, o painel indicou que a convergência entre inteligência artificial, educação e mercado de trabalho deve influenciar diretamente o desenvolvimento econômico nos próximos anos. A aposta está em um modelo que combine tecnologia, formação prática e inclusão, com potencial de ampliar oportunidades e promover mobilidade social.
Fonte: Correio do Povo