
O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, confirmou que entre os 117 suspeitos mortos na megaoperação Contenção, executada na terça-feira (28), 99 já foram identificados. Destes, pelo menos 78 tinham histórico criminal “relevante”, com envolvimento em homicídios e tráfico, 42 tinham mandados de prisão em aberto e pelo menos 39 eram de outros Estados.
As informações foram prestadas em coletiva de imprensa no final da manhã desta sexta-feira (31), junto com o secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos. Entre os identificados estão líderes do tráfico de quatro das cinco regiões do país: Russo, apontado como chefe do tráfico em Vitória (ES), Chico Rato, de Manaus (AM), Mazola, de Feira de Santana (BA), e Fernando Henrique dos Santos, de Goiás. Segundo Curi, só não há criminosos do Sul do Brasil.
De acordo com o governo do Rio de Janeiro, esta é a origem de 39 dos mortos no confronto:
- Pará: 13
- Amazonas: 7
- Bahia: 6
- Ceará: 4
- Paraíba: 1
- Goiás: 4
- Mato Grosso: 1
- Espírito Santo: 3
— Nós alertamos e avisamos. Os complexos da Penha e do Alemão
até a ocupação de 2010 eram o QG do Comando Vermelho apenas no Rio
de Janeiro. A constatação é que esses complexos passaram a ser o QG
também do CV nacionalmente — afirmou Curi.
Operação policial supera número de mortos do Carandiru
Batizada de Operação Contenção, a ação de terça-feira teve como objetivo cumprir cem mandados de prisão contra lideranças do Comando Vermelho e apreender armas e drogas. No total, 113 pessoas foram presas, 91 fuzis e 200 quilos de maconha foram apreendidos na ação que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das forças de segurança nos complexos da Penha e do Alemão.
Durante os confrontos, 26 criminosos foram presos após manter uma mulher refém em uma casa na Vila Cruzeiro. Helicópteros, blindados e drones foram usados no cerco, enquanto traficantes reagiram com explosivos lançados por drones, um novo padrão de enfrentamento identificado pelas forças de segurança.
A megaoperação policial no Rio de Janeiro é considerada a mais letal da história do Brasil. O governo do Estado confirmou 121 mortos na ação, número que ultrapassa o massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, em São Paulo (SP), quando 111 presos foram assassinados durante uma intervenção policial.
Policiais entre as vítimas
Quatro agentes, dois civis e dois militares, faleceram nos confrontos:
- Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51 anos, comissário da 53ª DP (Mesquita)
- Rodrigo Velloso Cabral, 34 anos, da 39ª DP (Pavuna)
- Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos, 3º sargento do Bope
- Heber Carvalho da Fonseca, 39 anos, 3º sargento do Bope
O delegado-adjunto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), Bernardo Leal, foi baleado e segue em estado grave. Outros 15 policiais ficaram feridos.